Os trabalhos apresentados nesta seção tinham como preocupação central as reconfigurações dos processos democráticos, da cidadania e da participação cívica nas esferas públicas constituídas online. Marcelo Igor de Sousa (UFG) apresentou questões teóricas concernentes às possibilidades de construção da cidadania via debates de questões coletivas em espaços discursivos virtuais. Em uma linha bem semelhante, o trabalho de Ângela Marques, propôs-se a apresentar algumas possibilidades de operacionalização da teoria habermasiana para a análise qualitativa de processos deliberativos online. O trabalho de Alexandre Nervo, apontou que as conversações mediadas por computador acerca de temáticas político-eleitorais são alimentadas por narrativas biográficas construídas coletivamente em torno de personalidades políticas em época de campanha. Esse trabalho revela como as conversações informais no twitter, e seus elementos estético-expressivos, podem contribuir para uma posterior politização do debate em rede. O uso dos blogs como espaço de manifestação de opiniões e resistência a governos ditatoriais foi salientado por Marcia Costa que, utilizando o exemplo de duas blogueiras cubanas, destacou como a internet e seus espaços de troca comunicativa adquiriram enorme potencialidade de luta e questionamento contra poderes políticos opressores. A fina sintonia entre os temas abordados nessa seção destaca a necessidade de refletirmos sobre a natureza teórico-metodológica das questões que entrelaçam privacidade, autonomia, cidadania, democracia, debate, esfera pública e privada, resistência e formas de poder.
Publicado por: fatimaregis | setembro 10, 2010
Comentário sobre a Sessão Poder e resistência na cibercultura II: Webdemocracia e reconfigurações da esfera pública por Ângela Marques
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